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    Santa Casa da Misericordia de Machico

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    Centro De Dia

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    Lar Agostinho Cupertino da Câmara

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    Centro de Convívio

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    Centro Medico

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    Infantário Rainha Santa Isabel

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    Centro Comunitário da Bemposta

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Reza a história que uma senhora deixara aos pobres da vila de Machico um importante prédio e que este legado despertara a ideia da fundação da Misericórdia, tendo servido de núcleo aos bens que depois veio a possuir. Instituída por carta de Lei de 27 de Julho de 1508, a Santa Casa da Misericórdia de Machico foi fundada a 4 de Julho de 1529.

Esta Instituição de solidariedade social sobreviveu a vários séculos de história. Dos últimos quatrocentos anos há que registar o aluvião de 9 de Outubro de 1803, que ao arrastar para o mar a capela da Misericórdia e casa anexa fez desaparecer todo o espólio histórico da Instituição, informação indispensável para traçar uma resenha histórica da Misericórdia de Machico.

A vida da Misericórdia de Machico não foi fácil. Para além dos factores internos à Instituição, esta sobreviveu às mudanças impostas pelas conjunturas políticas e históricas que, no caso de algumas Misericórdias da Região Autónoma da Madeira, representou a sua extinção. E dos últimos quatrocentos anos de história há que registar, também, a criação de um hospital em 1856, que desempenhou um importante papel na epidemia colérica, o qual foi extinto em 1862. Dos vários Provedores que passaram por esta Misericórdia antes de 1950, há que destacar os nomes do: Capitão Cristóvão Esmeraldo (eleito para o cargo em 1810) e do Padre Manuel José da Paixão. Este último, teve um papel determinante ao extrair várias certidões de prédios e foros e fazer reverter à posse da Misericórdia alguns bens que já se encontravam perdidos devido ao aluvião de 1803. Cristóvão Esmeraldo foi o responsável pela recuperação da capela destruída pelo aluvião e conseguiu ainda, que a venerável imagem do Senhor Bom Jesus regressasse ao pequeno templo no dia 2 de Julho de 1810.

No entanto, a força destes e de outras tantas pessoas que passaram por esta Instituição, naquela altura, não foi suficiente para impedir a extinção da Irmandade em 1835. A 13 de Junho desse mesmo ano foi nomeada uma comissão administrativa que ficou na gerência da Misericórdia. A partir daí, foram muitos os anos de inactividade e só se ergue na década de 50, em pleno século XX, quando o Engenheiro Ricardo Vasconcelos abraçou a causa pública. Primeiro, como presidente da Câmara Municipal de Machico e mais tarde como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Machico, fazendo renascer das cinzas os princípios e valores desta Instituição.

Pouco a pouco, a Misericórdia assumia um papel preponderante junto do povo de Machico. Atenta às suas necessidades, a aposta da Instituição foi a criação de uma maternidade no concelho, a 23 de Outubro de 1954. Esta funcionou num prédio urbano, no sítio da Ladeira, arrendado pela Misericórdia de Machico. Este espaço constituiu, também, a sede da Instituição.

Poucos meses depois da entrada em funcionamento da maternidade, em 1959, os números apontavam para uma série de “milagres” na saúde, não só em termos de vacinação como no apoio prestado às grávidas e crianças. Ali nasceram muitas crianças. Naquela época, os cuidados de Saúde na Região eram insuficientes e as assimetrias entre o campo e a cidade estavam muito bem vincadas junto da população. Na altura, Machico era uma vila com uma relação com o mar muito forte e, como tal, o povo não tinha muitos recursos para se deslocar até ao Funchal.

Antes desta Maternidade existir muitas mulheres tinham os seus filhos em casa, algumas beneficiavam dos cuidados de uma parteira, «mas outras ficavam entregues nas mãos de Deus». Morreram muitas crianças e mulheres na hora do parto. Os cuidados “domésticos” precários, em algumas situações, ceifaram a vida a muitas pessoas que, por falta de recursos, não se podiam deslocar ao Hospital dos Marmeleiros, na altura, a única unidade hospitalar na Região.

Por mais de vinte anos a actividade da Misericórdia de Machico esteve ligada à prestação de cuidados de saúde que, para além da maternidade, oferecia assistência aos idosos no seu domicílio.

O afastamento do Provedor, na altura o Engenheiro Ricardo Vasconcelos, foi determinante para fazer tremer a Instituição. Um vazio de liderança e as novas orientações políticas, em 1975, foram factores essenciais para causar a desmobilização de muitos associados, correndo-se mesmo o risco da sua extinção. Nesse mesmo ano, a progressiva estruturação do Serviço Nacional de Saúde, a qual pressuponha uma política unitária e global, levou ao encerramento da maternidade da SCMM. O Decreto-lei nº 618/75 de 11 de Novembro de 1975 refere que “as pessoas colectivas de utilidade pública administrativa deixam de manter qualquer estabelecimento ou actividade integrada na política social aprovada pelo Governo”.

Por alguns anos o espírito de solidariedade ficou como que adormecido junto dos machiquenses, voltando a dar frutos na década de oitenta. O povo volta a sonhar com a Misericórdia e a obra acaba por renascer. Em 1985, é formada uma nova comissão composta por pessoas ligadas ao concelho e com enorme vontade de trabalhar para voltar a erguer uma instituição secular.

A prioridade foi definir os novos estatutos da Instituição. Os anteriores, elaborados na década de 50, determinavam, por exemplo, que os “Irmãos” tinham que ser casados pela Santa Madre Igreja. Após a definição, os novos estatutos preconizam o associativismo e a abertura à comunidade. Na posse deste novo documento, a comissão procurou revitalizar a sua função num papel social mais activo, reconvertendo os seus valores materiais em prol da criação de um Lar e Centro de Dia para a Terceira Idade.

Nos anos oitenta, a Misericórdia de Machico continuava a não ter um espaço que lhe servisse como sede, e uma vez mais, valeu-lhe a boa vontade dos associados que, numa atitude altruísta, cederam a sua casa para acolher os encontros da Irmandade.

O objectivo estava definido: Construir um Lar e Centro de Dia para a Terceira Idade. A partir daqui levaram a cabo várias iniciativas com vista à sua concretização. O povo aguardava e a Câmara Municipal de Machico até deu uma ajuda. Na altura, os destinos do Concelho estavam nas mãos do presidente Martins Júnior. Sensível ao fenómeno do envelhecimento, o autarca cedeu o terreno onde hoje está instalada a Misericórdia de Machico.

A 20 de Fevereiro de 1994, recebem a cópia da escritura do terreno para a instalação do Lar e Centro de Dia doado pela Autarquia. Nesta altura, a sede da Misericórdia era na Rua General António Teixeira de Aguiar, nº 8-A. Tratou-se de uma grande “vitória” para a nova direcção que, a 22 de Março de 1993, tinha assumido os destinos da Misericórdia de Machico. Nesta altura, Luís Carlos Delgado era o homem do leme da Misericórdia. Para além da Câmara Municipal, iniciaram-se um conjunto de contactos junto do Governo Regional com o objectivo de despertar as entidades governamentais para a necessidade de construir uma infra-estrutura modelar para prestar apoio à Terceira Idade. Há que registar o empenho pessoal do Dr. Rui Adriano de Freitas, que na altura era o Secretário Regional dos Assuntos Sociais na Região. Finalmente, em 23 de Setembro de 2000, tem lugar a inauguração do Lar Intergeracional da SCMM.

Todavia, a actividade desta obra não se esgotou no apoio exclusivo à Terceira Idade. A Direcção foi ao encontro dos mais novos e num só edifício junta duas gerações de vida que se relacionam muito bem. Assim, no dia 1 de Fevereiro de 2001, iniciou-se a actividade do Jardim-Escola com 22 crianças. Concluídas estas valências, a aposta foi na criação de um Centro Médico e de Reabilitação que desde o mês de Outubro de 2002 presta cuidados de saúde, em diferentes especialidades, à população.

Desde então, milhares de pessoas já beneficiaram dos cuidados de saúde e do humanismo desta Instituição. Uma Misericórdia que se mantém viva e activa graças à capacidade de trabalho dos seus associados que ao longo de muitos anos não se deixaram vencer pelas dificuldades.

É esta história, os seus valores, o trajecto percorrido que marcam e traduzem verdadeiramente a essência da cultura desta Instituição que se reflecte no presente e se projecta no futuro, através da sua intervenção, numa procura incessante pelo cumprimento da sua missão.